Depois de um ano intensivo a acumular tudo o resto com a tese, estou a sentir que me isolei do mundo o suficiente para merecer este estado. Não imponho a minha presença a ninguém e nem me chateio muito, mas estou a precisar urgentemente de outra coisa que me ocupe e me mexa o cérebro para coisas úteis. Dei por mim estes dias a navegar numa pagina de concursos de bolsas de doutoramento para os EUA. Lá acabei por me lembrar da idade que tenho e da família que me rodeia e fechei a pagina. Nestas alturas em que estou sozinha, pensamentos estúpidos voltam a visitar-me e fico com medo de retroceder mais uma vez.
Não sei se vai ser sempre assim, mas tem sido uma luta grande. Dou muito valor a quem me diz que conseguiu encontrar a 'Paz interior'. Conceito utópico!
Este discurso de Florbela Espanca já me chateia e e basicamente com isso que faço terminar lógicas e parvoíces.
Começo a acreditar em karmas e shakras e propósitos de vida. Mas não será outra ilusão de 'Paz'? Estas coisas das fés e dos sentimentos não passarão de escapes? Acreditar em destinos e missões e muito mais simples, mas para lá chegar tenho que me convencer que vai ser possível encontrar um equilíbrio interior. E por hoje chega. Assim já não chateio o R. quando chegar!
terça-feira, fevereiro 08, 2011
terça-feira, janeiro 25, 2011
Ainda há momentos bons
Apesar de tudo, os alunos conseguem que todo o esforço, reuniões, papelada, violência psicológica e trabalho fora de horas valha a pena com certas frases que me tocam no fundo do coração e que tento desconversar para não repararem que me emocionam...
No passado sábado levei os meus meninos do turismo a Madrid, à FITUR. A viagem foi cansativa, tendo em conta que saímos às 4h da madrugada e chegamos no mesmo dia às 20h30. Mesmo assim, os meninos e meninas e futuro menino (sim, uma está grávida!) portaram--se à altura!
Ontem, quando lhes dei aulas, um deles levanta-se e diz:
"Quero agradecer em nome da turma ter-se disponibilizado em organizar e nos acompanhar nesta visita. Foi a primeira vez que andamos de avião e, para muitos, a primeira visita ao estrangeiro. Não há muitos professores que fizessem o mesmo..."
Claro está que fiquei entrenecida, emocionada. Respondi-lhes que fiquei também muito contente com o esforço e responsabilidade que todos demonstraram quer na organização, quer durante a visita e mudei de assunto para não chorar!
Estou numa fase em que preciso destes carinhos, já que do outro lado, aquele que supostamente me deveria dar conforto, a única coisa que recebo é sentimentos de desconsideração e incompetência, sentimentos que tento rejeitar todos os dias.
No passado sábado levei os meus meninos do turismo a Madrid, à FITUR. A viagem foi cansativa, tendo em conta que saímos às 4h da madrugada e chegamos no mesmo dia às 20h30. Mesmo assim, os meninos e meninas e futuro menino (sim, uma está grávida!) portaram--se à altura!
Ontem, quando lhes dei aulas, um deles levanta-se e diz:
"Quero agradecer em nome da turma ter-se disponibilizado em organizar e nos acompanhar nesta visita. Foi a primeira vez que andamos de avião e, para muitos, a primeira visita ao estrangeiro. Não há muitos professores que fizessem o mesmo..."
Claro está que fiquei entrenecida, emocionada. Respondi-lhes que fiquei também muito contente com o esforço e responsabilidade que todos demonstraram quer na organização, quer durante a visita e mudei de assunto para não chorar!
Estou numa fase em que preciso destes carinhos, já que do outro lado, aquele que supostamente me deveria dar conforto, a única coisa que recebo é sentimentos de desconsideração e incompetência, sentimentos que tento rejeitar todos os dias.
quarta-feira, outubro 20, 2010
Oh pá... ou Oh pá! ???
Cheguei ontem à brilhante conclusão que a expressão "Oh páaaa" pode ser aplicada à generalidade das situações. Então vamos lá ver:
O país está em crise. "Oh páaaa... há gente pior..."
Chegamos ao fim do mês com pouco dinheiro na conta. "Oh páaaa... enquanto formos conseguindo ter algum"
O IVA vai aumentar outra vez. "Oh páaaa... se for para o país ficar melhor..."
Vai retirar/dimiunuir as deduções no IRS das despesas de saúde, educação e habitação - que são, a saber, necessidades primárias - "Oh páaaa... se for para o país ficar melhor..."
Vão-nos diminuir o ordenado e congelar subidas na carreira. "Oh páaaa... ao menos ainda temos emprego..."
Vão reduzir os subsídios de desemprego e os rendimentos de reinserção. "Oh páaaa... ao menos temos saúde"
Vamos ter que pagar as SCUT. Vamos ter que ir aos postos da Via Verde às 3 da manhã para as filas e meter um dia de férias sem garantias de que voltamos com o maldito chip. "Oh páaaa... é mais um sacrifício em prol do bem geral"
Os alunos não estudam, são mal educados, não levam material, insultam professores, colegas e funcionários e as pedras que lhes atravessam no caminho. "Oh páaaa... não vale a pena reprová-los. Não insitas que já não têm solução..."
Os professores são colocados (propositadamente) um mês depois das aulas começarem e têm que repor as aulas desse mês gratuitamente. "Oh páaaa... coitados dos alunos"
A idade da reforma é incerta para quem está a trabalhar. "Oh páaaa... antes isso que a ruptura da Segurança Social. É melhor receber um ano de reforma antes de morrer do que nenhum"
Agora, em França só estão a tentar aumentar a idade de reforma dos 60 para os 62 anos. "Oh páaaa!!! é melhor não se meterem connosco"
Diferenças???
O país está em crise. "Oh páaaa... há gente pior..."
Chegamos ao fim do mês com pouco dinheiro na conta. "Oh páaaa... enquanto formos conseguindo ter algum"
O IVA vai aumentar outra vez. "Oh páaaa... se for para o país ficar melhor..."
Vai retirar/dimiunuir as deduções no IRS das despesas de saúde, educação e habitação - que são, a saber, necessidades primárias - "Oh páaaa... se for para o país ficar melhor..."
Vão-nos diminuir o ordenado e congelar subidas na carreira. "Oh páaaa... ao menos ainda temos emprego..."
Vão reduzir os subsídios de desemprego e os rendimentos de reinserção. "Oh páaaa... ao menos temos saúde"
Vamos ter que pagar as SCUT. Vamos ter que ir aos postos da Via Verde às 3 da manhã para as filas e meter um dia de férias sem garantias de que voltamos com o maldito chip. "Oh páaaa... é mais um sacrifício em prol do bem geral"
Os alunos não estudam, são mal educados, não levam material, insultam professores, colegas e funcionários e as pedras que lhes atravessam no caminho. "Oh páaaa... não vale a pena reprová-los. Não insitas que já não têm solução..."
Os professores são colocados (propositadamente) um mês depois das aulas começarem e têm que repor as aulas desse mês gratuitamente. "Oh páaaa... coitados dos alunos"
A idade da reforma é incerta para quem está a trabalhar. "Oh páaaa... antes isso que a ruptura da Segurança Social. É melhor receber um ano de reforma antes de morrer do que nenhum"
Agora, em França só estão a tentar aumentar a idade de reforma dos 60 para os 62 anos. "Oh páaaa!!! é melhor não se meterem connosco"
Diferenças???
quinta-feira, setembro 16, 2010
Aula de Inglês
Ontem a C. assobiou. Nunca vi um bebé de 2 anos e meio a assobiar...
Hoje decidi começar a ensinar a minha sobrinha a falar inglês. Achava eu que ia ficar toda interessada e repetir o que dizia:
"Hoje vamos falar inglês, está bem? ... Hello C.! How are you?"
Resposta: "Nãooooo Giiiija! Não fales inglês!"
Pronto. A cachopa é que manda.
Hoje decidi começar a ensinar a minha sobrinha a falar inglês. Achava eu que ia ficar toda interessada e repetir o que dizia:
"Hoje vamos falar inglês, está bem? ... Hello C.! How are you?"
Resposta: "Nãooooo Giiiija! Não fales inglês!"
Pronto. A cachopa é que manda.
terça-feira, setembro 14, 2010
Vazio
É por isto que me revolto quando ouço pessoas a dizer: "Pois... é professor! Vê-se logo... 3 meses de férias. Quem me dera!"
Apetece-me dar-lhe a resposta: "Então!? Cara amiga... vá para professora." E depois vai ver que 3 meses de férias são muitas vezes 3 meses de desemprego, desespero e ansiedade. Não digo que haja muitos colegas com a sorte de terem o mês de Agosto descansado, tranquilo, a desfrutar com a família e com a certeza de que a 1 de Setembro já estarão numa escola (muitas vezes a mesma do ano anterior), a leccionar as mesmas matérias, com os mesmos alunos. Nada disto acontece à maioria dos professores, que são a grossa fatia do ensino: "Os contratados" - como nos chamam. E pior do que ser da classe d´"os contratados" é ser da classe "contratados não profissionalizados". Só que a maioria das pessoas - e dos sindicatos, aliás - não se lembra desses.
O meu mês de Agosto é passado a pensar se conseguirei dar aulas no ano lectivo seguinte. A fazer contas à vida para gerir aquilo que tenho na conta e a pensar no que irei fazer durante o tempo em que tenho que estar colada ao computador a procurar ofertas de escola. E não sou das que está pior... porque até tenho ficado com horário (nem sempre completo) em Setembro/Outubro.
Chega a uma altura que já nem me importo daquilo que vou dar, dos alunos que vou ter nem do sítio onde vou estar. Chega a uma altura em que só quero estar.
Sinto uma vocação para esta profissão que não consigo explicar, mesmo sabendo que tenho outras opções e que seriam mais seguras e se calhar me fariam ser uma das pessoas que está a tomar café e fala com toda a certeza: "Ser professor é que é bom... É só férias!"
Apetece-me dar-lhe a resposta: "Então!? Cara amiga... vá para professora." E depois vai ver que 3 meses de férias são muitas vezes 3 meses de desemprego, desespero e ansiedade. Não digo que haja muitos colegas com a sorte de terem o mês de Agosto descansado, tranquilo, a desfrutar com a família e com a certeza de que a 1 de Setembro já estarão numa escola (muitas vezes a mesma do ano anterior), a leccionar as mesmas matérias, com os mesmos alunos. Nada disto acontece à maioria dos professores, que são a grossa fatia do ensino: "Os contratados" - como nos chamam. E pior do que ser da classe d´"os contratados" é ser da classe "contratados não profissionalizados". Só que a maioria das pessoas - e dos sindicatos, aliás - não se lembra desses.
O meu mês de Agosto é passado a pensar se conseguirei dar aulas no ano lectivo seguinte. A fazer contas à vida para gerir aquilo que tenho na conta e a pensar no que irei fazer durante o tempo em que tenho que estar colada ao computador a procurar ofertas de escola. E não sou das que está pior... porque até tenho ficado com horário (nem sempre completo) em Setembro/Outubro.
Chega a uma altura que já nem me importo daquilo que vou dar, dos alunos que vou ter nem do sítio onde vou estar. Chega a uma altura em que só quero estar.
Sinto uma vocação para esta profissão que não consigo explicar, mesmo sabendo que tenho outras opções e que seriam mais seguras e se calhar me fariam ser uma das pessoas que está a tomar café e fala com toda a certeza: "Ser professor é que é bom... É só férias!"
quinta-feira, setembro 02, 2010
Final?
Aproxima-se o dia de prestação de provas para mestre! Ando a dormir mal e parece que não sei o que ando a fazer durante o dia...
Aquilo há-de ir e é já na próxima 3ªfeira às 11h30!
Aquilo há-de ir e é já na próxima 3ªfeira às 11h30!
terça-feira, agosto 24, 2010
Medidas
O meu gato ficou doente. Teve que ser internado, mas estou optimista. Vai ter que fazer uma dieta rigorosa para evitar novamente problemas que poderão estar associados ao facto de ser 'gordinho' e ter ficado longe de nós quase uma semana.
Chegámos de férias no Sábado e senti-o um cadito quente e na 2ª feira começou a apresentar sintomas esquisitos... Lá fui eu e, com um aperto grande, lá o deixei para tratamento na clínica. Está a formar cristais na urina e tem que fazer uma dieta rigorosa. Por isso digo-vos, aproximam-se tempos difíceis, porque ele sempre teve a comida disponível e, mesmo antes de terminar, lá me vinha chatear (fosse dia ou noite) para lhe encher outra vez o pratinho. Vou ter que arranjar um esquema para que não me acorde durante a noite. Mas esta noite senti a falta dele. Mal chego a casa estou sempre à espera do ronronar e o esfreganço nas pernas e à noite lá se vem ele enroscar para miminhos (porque sabe que sou eu que dou mimo e o R. é para a brincadeira). Desde ontem não tive isso...
É um gato especial, como nunca tive outro. Tem que ser o único animal em casa e pensa que é pessoa. Pesa 5,5 Kg, não gosta de canalha, mas exibe-se para os adultos. Ronrona como nunca outro gato que tive e só gosta de fiambre de peru. Não come peixe, carne e apenas petisca vegetais. Não pede comida quando estamos a almoçar ou jantar e acompanha-me para a cama, banho, escritório e cozinha. Ontem queria vir comigo quando fui receber o resultado das análises. Não parava de tentar subir para o meu colo. Acho que é o mais próximo que tenho de um filho...
Chegámos de férias no Sábado e senti-o um cadito quente e na 2ª feira começou a apresentar sintomas esquisitos... Lá fui eu e, com um aperto grande, lá o deixei para tratamento na clínica. Está a formar cristais na urina e tem que fazer uma dieta rigorosa. Por isso digo-vos, aproximam-se tempos difíceis, porque ele sempre teve a comida disponível e, mesmo antes de terminar, lá me vinha chatear (fosse dia ou noite) para lhe encher outra vez o pratinho. Vou ter que arranjar um esquema para que não me acorde durante a noite. Mas esta noite senti a falta dele. Mal chego a casa estou sempre à espera do ronronar e o esfreganço nas pernas e à noite lá se vem ele enroscar para miminhos (porque sabe que sou eu que dou mimo e o R. é para a brincadeira). Desde ontem não tive isso...
É um gato especial, como nunca tive outro. Tem que ser o único animal em casa e pensa que é pessoa. Pesa 5,5 Kg, não gosta de canalha, mas exibe-se para os adultos. Ronrona como nunca outro gato que tive e só gosta de fiambre de peru. Não come peixe, carne e apenas petisca vegetais. Não pede comida quando estamos a almoçar ou jantar e acompanha-me para a cama, banho, escritório e cozinha. Ontem queria vir comigo quando fui receber o resultado das análises. Não parava de tentar subir para o meu colo. Acho que é o mais próximo que tenho de um filho...
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